No esporte é assim mesmo, e às vezes mais comum do que deveria.
Num dia os torcedores assistem a vitória do time de sua cidade, jogando fora, e a grande atuação do ídolo e comandante do elenco que anotou os pontos decisivos. Em outro, menos de 48 horas depois, subitamente, como mal poderiam esperar, recebem a notícia de que o mesmo craque não voltará para casa.
Rudy Gay não voltará a Memphis. Simples assim, sem aviso prévio e sem direito a despedidas. O cestinha dos Grizzlies foi envolvido em uma troca com o Toronto Raptors, e não vestirá mais a camisa de número 22 do time pelo qual jogou por seis temporadas e meia. Rumores das últimas semanas já davam conta de que o ala poderia ser trocado, o que não deixa de ser chocante.
A troca enfraquece muito, de imediato, o time de Memphis. Para o lugar de Gay, Tyshaun Prince e Austin Daye – ambos longe da técnica, da forma física e do poder de decisão de Rudy - aterrissam na cidade. Ed Davis, o jogador mais jovem listado na transação também chega para compor o time no garrafão, mas atua em uma posição já muito bem servida na equipe. Por enquanto, ficará no banco para tentar mostrar o seu valor.
Embora haja sempre os salários e as potenciais escolhas de draft nesse tipo de negociação, é de se estranhar a atitude da diretoria de Memphis Grizzlies. Ao pensar na economia de dinheiro e na montagem do elenco para o futuro, a franquia parece desistir do campeonato atual, no qual fazia excelente campanha. Fica a dúvida em saber se realmente a questão financeira, que ainda nem é problema, é mais relevante agora do que o reconhecimento de um possível título.
Não foi à toa que o time começou o campeonato da NBA no topo da tabela, e mesmo com uma pequena queda se manteve entre os primeiros. O credenciamento para o título e para a transformação em uma equipe de elite demandou tempo, e certamente essa renovação fora de hora atrapalhará os planos de Memphis. (Memphis já havia feito uma troca
recente envolvendo vários jogadores, não muito renomados. Na ocasião,
foi embora o bom reserva Marreese Speights). O time chegará aos Playoffs, mas sem a força que poderia ter.
Para Rudy Gay, um novo desafio. Ou um passo atrás, sendo mais realista. Campeão mundial com a seleção americana em 2010, o ala de 26 anos terá a missão de reerguer a franquia da cidade canadense de Toronto, que certamente também tem seus planos para a formação de um elenco forte, sem nenhuma garantia. Até que se prove o contrário, e com determinada rapidez, os Grizzlies desperdiçaram um enorme talento, e a chance de se firmarem entre os grandes.
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