segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Divisão do Atlântico: o bicho vai pegar!



                               A histórica rivalidade entre Celtics e Knicks ganhará novos 
                                capítulos nesta temporada(Foto: Jessica Hill/ AP Photo)

A divisão do Atlântico tem tudo para ser a mais competitiva da liga na temporada. Uma tremenda reviravolta para uma divisão que há poucos anos era a pior da NBA. Neste ano, quatro times têm chances legítimas de chegar aos playoffs. O Toronto Raptors, que é quem fica fora desse grupo, melhorou seu elenco, e também sonha com a pós-temporada. 

Apesar do equilíbrio, Boston sai na frente

Boston é a equipe com mais experiência dentre os competidores no Atlântico. São cinco títulos de divisão consecutivos para os Celtics. Ano passado, o time ficou a apenas uma vitória das Finais.

Os Celtics mudaram algumas peças no elenco. A principal ausência será Ray Allen. O recordista em cestas de três pontos da história da NBA deixou Beantown e foi para Miami. No entanto, a equipe foi ao mercado e conseguiu a excelente contratação de Jason Terry. O ex-jogador dos Mavs foi fundamental na campanha do time texano campeão em 2011. Terry tem bom chute de fora e será uma arma importantíssima vinda do banco. Além dele, o time verde e branco trouxe Courtney Lee, do Houston, e o brasileiro Leandrinho. Os dois contribuirão acrescentando velocidade à segunda unidade.

Jeff Green é outro “reforço” para Boston. O jogador chegou ao time no meio da temporada 2010-11, na troca que mandou Kendrick Perkins para Oklahoma. O ala era uma das estrelas do jovem time do Thunder. É um jogador que sabe arremessar de longe, e tem uma infiltração perigosíssima. Ano passado não pôde atuar devido a uma cirurgia no coração. Felizmente, já está tudo bem com o atleta e ele tem tudo para ajudar muito os Celtics nesta temporada.


Dito isso, Boston ainda será liderado pelo talento e experiência de Paul Pierce e Kevin Garnett. Soma-se a eles a presença do armador Rajon Rondo, sem dúvida, um dos melhores jogadores da liga. Com tantas armas ofensivas, Rondo é o cara certo para fazer com que o ataque dos Celtics seja produtivo. Defesa também não será o problema. O time tem mantido um padrão muito bom nos últimos anos.

Concorrentes de peso

Apesar do forte time de Boston, a competição no Atlântico não será nada fácil. A concorrência está mais forte do que nunca.

Primeiro, tem o New York Knicks. Não existem dúvidas de que o time tem o talento necessário para vencer a divisão. O elenco é encabeçado pelo medalhista de ouro olímpico Carmelo Anthony. Um dos maiores talentos da liga, Carmelo ainda procura aprimorar seu entrosamento com outra estrela do time, o ala-pivô Amar’e Stoudemire. Desde a chegada de Anthony no time, em 2011, os dois não funcionaram bem juntos. Esse será o ponto-chave para New York na temporada. Se os dois adquirirem um ritmo bom juntos, o time brigará forte na Conferência. A má notícia é que Stoudemire já aparece com problemas no joelho. Perderá a primeira semana da temporada e, possivelmente, também a segunda.

Nessa última offseason, Amar’e treinou com a lenda do Houston Rockets, o ex-pivô Hakeem Olajuwon. O atleta praticou especialmente jogadas de costas para a cesta, um ponto fraco no seu jogo. Melhorando nesse quesito, ele dará maiores opções ofensivas para o Knicks. Se ficar mais no garrafão, Stoudemire poderá liberar mais espaço para Carmelo trabalhar no perímetro. A preocupação é se isso significar um excesso de jogadas individuais e a bola não rodar no ataque, não envolvendo quem estiver sem a posse.

Na parte defensiva, New York evoluiu muito na última temporada, principalmente após a chegada do técnico Mike Woodson.

Outra discussão em torno do Knicks é sobre a idade de seus jogadores. O elenco será o mais velho da história da NBA, com média de 32 anos e 240 dias. No entanto, a equipe não conta com os “vovôs” para decidirem as partidas. Isso será responsabilidade de jogadores como Anthony, Stoudemire, Chandler e Felton. Por isso, New York não deve encontrar problemas para alcançar a pós-temporada. O objetivo do time é chegar entre os quatro primeiros, garantindo assim, a vantagem do mando de quadra na primeira rodada.

O Philadelphia 76ers também será um forte concorrente na divisão. A equipe teve as perdas de Andre Iguodala, Louis Williams e Elton Brand na última offseason. Por outro lado, chegaram Nick Young, Dorell Wright, Jason Richardson e Andrew Bynum. O último, vindo do Lakers, é a grande esperança para os torcedores da Philadelphia. Bynum é o pivô mais técnico da NBA. Pode ser o grande jogador que faltava ao 76ers.

A equipe é muito bem treinada pelo competente Doug Collins. A defesa e o jogo coletivo são excelentes. A saída de Louis Williams será sentida. Ele era o maior pontuador da equipe, mesmo vindo do banco. Nick Young e Dorell Wright terão que atuar em bom nível para manter a qualidade do time de suplentes.

Andre Iguodala fará falta principalmente na parte defensiva. Mas Philadelphia tem condições de, num esforço coletivo, suprir a falta do jogador.
O time tem tudo para ir aos playoffs. Como objetivo, também não seria nenhum absurdo pensar em ficar entre os quatro primeiros da conferência.

A grande novidade

O Brooklyn Nets está de cara nova. A começar pela mudança de endereço. De New Jersey, a equipe mudou-se para o Brooklyn, tradicional bairro de New York. Outra grande mudança foi a chegada de Joe Johnson, que veio numa troca por Anthony Morrow, feita com o Atlanta Hawks.

A grande questão será como Deron Williams e Joe Johnson vão atuar juntos. Johnson é um jogador que prende bastante a bola, gosta de jogadas no um contra um, o que deve reduzir o tempo que Deron terá a posse. Isso pode ser prejudicial para a criação de jogadas ofensivas. Por outro lado, também pode trazer uma nova possibilidade de ataque para o Nets e, até mesmo, um descanso maior para Williams, com outro jogador de qualidade para conduzir a bola. Esse entrosamento entre os dois será fundamental.

Outro ponto importante é a saúde de Brook Lopez. Se o pivô conseguir se manter saudável, as chances de sucesso para Brooklyn aumentam significativamente. Outro jogador que pode contribuir muito é o ala Gerald Wallace. Ele será a principal peça defensiva da equipe. É nesse aspecto do jogo que o técnico Avery Johnson deverá focar seu trabalho. Se no ataque Brooklyn tem muitos talentos, na defesa as incertezas são maiores.

Em sua temporada de estreia no Brooklyn, os Nets devem alcançar os playoffs, ficando em algum lugar próximo a sexta ou sétima vaga na conferência.

O representante canadense

Por último, o Toronto Raptors. A equipe vem com novidades para esta temporada. Landry Fields, Kyle Lowry e o jovem lituano Jonas Valanciunas foram os principais reforços.

O pivô lituano aparece como uma esperança para os torcedores do Raptors. Com apenas 20 anos, Valanciunas teve ótimos momentos no basquete da Europa, sendo eleito o melhor jogador jovem do campeonato europeu de 2011. Caso ele se firme como o titular da posição 5, isso dará liberdade para Andrea Bargnani jogar como 4. Nessa posição, o italiano deve encontrar marcadores mais ágeis do que está acostumado, porém terá vantagem no que tange ao tamanho.

No entanto, o ponto mais forte de Toronto será a posição de armador. Kyle Lowry é projetado como titular, mas terá como seu reserva o eficiente José Calderón. Ano passado, pela terceira vez nos últimos cinco anos, o espanhol liderou a liga na média de assistências por turnover, com 4,5. A grande curiosidade é como o técnico Dwane Casey dividirá o tempo de quadra dos dois. Ou mesmo, se existe a possibilidade deles jogarem juntos.

Toronto é um candidato a surpresa. No entanto, ainda é cedo para garanti-lo na briga por pós-temporada. O décimo lugar parece uma posição bem plausível para os Raptors. 

Palpite:

1º - Boston Celtics
2º- New York Knicks
3º - Philadelphia 76ers
4º - Brooklyn Nets
5º - Toronto Raptors

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